Pessoa Surdocega: Passos para o desenvolvimento

ALEX GARCIA – Especialista em Educação Especial, Fundador e Presidente da Agasparm, Colunista da Revista Reação, Gestor de Qualidade Semearhis, Pessoa Surdocega.

Neste artigo pretendo orientar as pessoas com deficiência – e quem sabe até mesmo as pessoas que não possuem deficiência, como alcançarem o desenvolvimento. Como de costume, em minhas reflexões vou trazer uma verdade – a minha. Acredito que existam muitas verdades, cada ser humano tem a sua. Os “meus passos”, portanto, podem ser seguidos. Podem ser semelhantes. E com certeza serão muito distintos dos passos de outras pessoas, mas, são os passos de uma pessoa surdocega.

surdocegueira é a deficiência que mais destoa da sociedade, porque gera a distância, imposta pelas perdas visuais e auditivas, assim como, a impaciência que se gera pelas dificuldades de comunicação. Desta maneira, a condição se torna a mais temida pelas pessoas: O “estar sozinho” como sinônimo de abandono, distinto de solitude que se pode eleger e desfrutar quando não existe medo de si mesmo.

Em minha vida busco transmitir e exercitar os “meus passos”. São passos que jamais devem ser interpretados como prontos.

Conhecendo a si mesmo

Conhecer a si mesmo – Aqui temos o primeiro passo. Conhecer a si mesmo – as necessidades e habilidades – leva certo tempo, portanto, não cabe no tempo da novela. Todas as pessoas com deficiência, em especial, a pessoa surdocega, devem ter bem claro que nada é estático, portanto, o conhecer a si mesmo será um verdadeiro re-começar e é preciso ter muita paciência!

Controlando as emoções

Controlar as emoções – Aqui temos o segundo passo. Para controlar as emoções devemos conhecer a nos mesmos. Exatamente. Somente é possível dar um novo passo com segurança se o anterior estiver sólido. As emoções e seu controle possuem papel de destaque em nosso desenvolvimento. No cotidiano observamos com freqüência o desespero e o medo das pessoas com deficiência e pessoas surdocegas. O desespero e o medo são em essência os baixos conhecimentos de si mesmo.

Planejando minhas ações

Planejar as ações – Aqui temos o terceiro passo. Para planejar ações devemos nos conhecer e controlar emoções. Fato! O planejamento é a mola mestra do desenvolvimento, mas, um mau planejamento pode colocar tudo a perder em pouco tempo. Mau planejamento vai trazer a tona o descontrole emocional e vamos então constatar claramente: Eu não me conheço com a profundidade que imaginava. Pensava possuir esta habilidade, mas na verdade, tenho outra necessidade.

Está muito claro que se conhecermos a nós mesmos, vamos controlar as emoções. Por conseqüência, planejaremos ações para que estas estejam ao alcance de nossas habilidades, “fugindo” das necessidades.

Orientando o meio

Orientar o meio – Aqui temos o quarto passo. Conhecendo a si mesmo, controlam-se as emoções. Emoção sob controle, planeja-se ações e então, por fim, orientar o meio torna-se possível. Orientar o meio é o ápice, pois vivemos em sociedade e por mais que tenhamos habilidades, nenhum ser humano é perfeito ao ponto de não precisar de algum apoio.

Alerto que orientar o meio pode nem sempre ser aquilo que desejamos, ou seja, pode acontecer de ao tentarmos orientar uma pessoa a colaborar conosco, esta pessoa não demonstrar interesse. Se você se deparar com o desinteressado, francamente, não tente mudá-lo. Vire-se que com certeza, logo ali está outra pessoa com interesse.

 

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn